Seu navegador não suporta java script, alguns recursos estarão limitados. Conferência marca um ano do Laboratório de Inovação Financeira
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Na abertura do seminário, o presidente da CVM, Marcelo Barbosa, o representante do BID no Brasil, Hugo Flores, e o presidente da ABDE, Marco Aurélio Crocco (esq. para direita)
(Crédito: Rafael Rodrigues / ABDE)


Nesta quinta-feira (13), aconteceu, em São Paulo, o seminário “Inovar para transformar o desenvolvimento sustentável”, em comemoração ao primeiro ano do Laboratório de Inovação Financeira (LAB), uma parceria entre a Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Comissão de Valores Imobiliários (CVM).

O objetivo do LAB é incentivar a participação do setor privado na criação de produtos e soluções financeiras para os mercados que envolvem a oferta de serviços como água, transporte, energia, agricultura, infraestrutura e financeiro, com a participação dos Sistema Nacional de Fomento (SNF).

O projeto é constituído por quatro grupos de trabalho (GTs), que atuam nos temas Finanças Verdes, Fintechs, Instrumentos Financeiros e Investimentos de Impacto e Títulos Verdes. A finalidade dos GTs é tornar o país uma referência em projetos e investimentos que incentivem a redução da emissão de carbono, tragam soluções de melhorias e adaptação climática, para o impacto social e para as finanças digitais. A Finep tem participação nos GTs, com presença de analistas especializados.

Evento

Cerca de duzentos participantes estiveram presentes ao evento (Crédito: Rafael Rodrigues / ABDE)

Durante o seminário, os produtos desenvolvidos e em desenvolvimento pelos GTs foram apresentados a cerca de 200 participantes. O grande destaque foram soluções e sugestões dos especialistas para a promoção de investimentos sustentáveis, a chamada economia verde. Segundo a ABDE, em 2017, os títulos verdes no mercado mundial movimentaram mais de US$ 160 bilhões, com previsão de ampliar para US$ 200 bilhões neste ano. No Brasil, há expectativas para o estreitamento do diálogo entre as questões ambientais e a pauta de investimentos no país.

Na abertura do evento, o presidente da ABDE, Marco Aurélio Crocco, destacou que a amplitude abordada nos projetos dos GTs, assim como a diversidade da participação de dezenas de entidades, é fundamental para o sucesso da iniciativa. “As soluções e sugestões trazem para o mercado financeiro grandes desafios, como a criação de novos instrumentos, disse.

Para Hugo Flores, representante do BID no Brasil, a iniciativa permite que o sistema comece a pensar novas soluções, diante da economia num mundo em crescente mudança. “É urgente acompanhar as transformações”.

Já o presidente da CVM, Marcelo Barbosa, afirmou que temos muito que avançar em educação financeira, um pilar para o desenvolvimento. “Novos instrumentos levarão a novas legislações e há o apelo imenso de contribuição para a sustentabilidade. A inovação nos instiga e devemos reconhecer e aceitar os desafios o tempo inteiro”, finalizou.

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 Os representantes dos GTs expuseram os resultados das discussões, com entrega de produtos e sugestões (Crédito: Rafael Rodrigues / ABDE)


Conheça os GTs

Finanças Verdes: o grupo preparou quatro produtos – Fundo de Eficiência Energética; Energy Saving Insurance; Modelo de Análise de Risco de Projetos Solares Fotovoltaicos; e Fundo First Loss. Dentre os projetos encaminhados pelo GT, o “Energy Saving Insurance - ESI” está em estágio avançado de desenvolvimento. A proposta inova ao combinar uma linha de crédito tradicional do sistema de gestão de energia e água a um contrato de performance protegido por uma apólice de seguro sobre o desempenho energético, acompanhado por metodologias de avaliação técnica aplicadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). O projeto piloto prevê a concessão das primeiras linhas de crédito ESI por meio do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (BANDES – ES), da Agência GoiásFomento (GO) e do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE – RS).

Outra novidade proposta pelo GT é o modelo de análise de riscos integrados para projetos solares fotovoltaicos, para pequenos e médios empreendedores. A ideia alinha os riscos de crédito do cliente e do projeto a ser financiado. Em fase de testes no âmbito do LAB por oito instituições financeiras e capitaneado pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a proposta será operada pelas instituições Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Itaú Unibanco, Safra, Santander, Rabobank e Votorantim.

Investimentos de Impacto: à frente dos estudos sobre a atuação das Instituições de Fomento e Desenvolvimento (IFD), em relação aos instrumentos financeiros de Contrato de Impacto Social (CIS), crowdfunding e Fundos Rotativos Solidários, o grupo propôs dois produtos e elaborou uma publicação sobre as “Métricas para Avaliação Socioambiental”, tendo como base as perspectivas de instituições desenvolvimento regional.

Com um projeto-piloto sob avaliação, a proposta para o uso do crowdfunding tem sido realizada a partir da interlocução com as IFD em busca de divulgar a ideia, enquanto também avaliam os potenciais e as restrições para as operações. Para os Fundos Rotativos Solidários, as sugestões preveem alterações à Política Nacional de Economia Solidário, prevista por projeto de lei complementar (PLC 137/2017), com o objetivo de aperfeiçoar a regulação, com mais abertura para projetos e beneficiários. A proposta foi encaminhada para a relatora do PLC, senadora Ana Amélia.

Títulos Verdes: ao longo do ano, o grupo obteve como principal resultado a realização da pesquisa com emissores e investidores sobre o mercado de títulos verdes no Brasil, o que gerou uma publicação com recomendações para elevação deste mercado, constituído por recursos captados para investimentos e projetos relativos às externalidades ambientais positivas. Além das discussões acerca dos incentivos e de atividades para desenvolver um mercado de títulos verdes nacionais, das oportunidades para emissão de títulos soberanos e alinhamento entre o mercado local e as práticas internacionais, o GT também atua como a interface de entidades públicas para diálogo com o conselho intersetorial privado de títulos verdes.

Fintechs: com a chegada das novas tecnologias financeiras (fintechs) no Brasil, nos últimos anos, todo o mercado de serviços financeiros mundial foi alterado e ganhou nuances mais modernas e mais acessíveis. Com foco nas pequenas e médias empresas, o Lab incluiu as fintechs em suas ações, para fomentar a inserção de startups do setor ao sistema tradicional financeiro. Agora, a partir do compromisso de viabilizar a criação de uma plataforma de análise de compatibilidade entre o segmento e as necessidades do mercado brasileiro, em diferentes setores, o GT avança na implementação do sandbox regulatório, em busca de consolidar regras mais modernas e inovadoras, que incentivem o surgimento de novas fintechs.


(Com informações da ABDE)

 

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