Seu navegador não suporta java script, alguns recursos estarão limitados. ”Mulheres Inovadoras” une empreendedoras a partir de edital liderado pela Finep
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mulheres1Cris dos Pazeres (do Vai na Web) e Célia Kano (Rece Mulher Empreendedora)

Finep, Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Prefeitura de São Paulo e Sebrae SP organizaram um evento completamente dedicado ao empreendedorismo feminino, na quinta (12/3). Ocorrido na Escola de Negócios do Sebrae, o painel reuniu gestoras, investidoras, setor produtivo e governo para um amplo debate sobre gênero e divulgar detalhes do primeiro edital do Programa Mulheres Inovadoras. O presidente da Finep, General Waldemar Barroso, comemorou a iniciativa: "espero que minha neta de 12 anos seja vitoriosa como vocês". André Godoy, diretor de Administração, participou da abertura. Já Renata Guinther, da Área de Investimento e Empreendedorismo da financiadora, mediou uma das mesas, sobre a indústria de Venture Capital.

Aline Cardoso, secretária municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, participou da abertura ao lado de Godoy e de Regiane Relva Romano, assessora especial do ministro do MCTIC, astronauta Marcos Pontes. A secretária, que também foi mediadora da primeira mesa de debates Desafio enfrentado por mulheres em posições de liderança e como enfrentá-los, defendeu principalmente as bandeiras de apoio ao empreendedorismo, a capacitação de jovens, a economia criativa, além de sustentabilidade.

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André Godoy, diretor de Adminstração da Finep, Regiane Relva Romano (MCTIC)
e Aline Cardoso (Prefeitura de SP)

"Embora mais da metade da população do Brasil seja formada por mulheres, o mercado de tecnologia é formado predominantemente por homens. A Prefeitura de São Paulo tem cada vez mais investido em políticas públicas e ações que promovam a inserção da mulher no mercado de trabalho, principalmente em setores em que o número de homens é relativamente maior. Esta parceria é fundamental para impulsionar a representatividade feminina e a igualdade de gênero", declarou.

O primeiro painel também contou com a presença de Pâmela Ponce (CEO da Iaprendi), Tania Gomes (CEO da Mooai) e Luciana Hashiba (Sócia-executiva da We Fab e vice-coordenadora do Centro de Inovação da FGV- EAESP). Ponce citou pesquisa do Boston Consulting Group para traçar um panorama das questões de gênero ligadas ao empreendedorismo.

De acordo com o BCG, Startups fundadas por mulheres recebem muito menos investimento que as criadas por homens. Ainda assim, as empresas lideradas por elas dão um retorno maior em receita no longo prazo do que as comandadas por eles. Ao analisar 350 empresas que foram aceleradas, sendo 258 fundadas por homens e 92 criadas por mulheres, foi observado que as empresas com fundadoras do sexo feminino receberam, em média, US$ 935 mil em investimentos. Enquanto isso, as companhias fundadas por homens receberam US$ 2,1 milhões, em média, em aportes de capital de risco.

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General Waldemar Barroso, presidente da Finep

No longo prazo, porém, elas geraram maior receita, apesar do baixo investimento inicial. Segundo o BCG, as companhias co-fundadas por mulheres geraram 10% mais em renda acumulada num período de cinco anos: foram US$ 730 mil contra US$ 662 mil, no caso dos homens. Em outras palavras, a cada US$ 1 investido na empresa, as mulheres geraram US$ 0,78, enquanto os homens geraram menos da metade: US$ 0,31.

Luciana Hashiba destacou a importância do estudo acerca do ecossistema de inovação para que as mulheres negociem de cabeça erguida. "Culturalmente, a sociedade impôs modelos à mulher que precisam ser driblados. E o conhecimento e auto-confiança garantem isso", disse. Tania Gomes concordou com a colega de painel: A chamada 'síndrome do impostor' acomete parte do universo feminino, como se nunca estivessem preparadas. O treino fará com que venda bem sua ideia, sem temer se o lado de lá for homem".

Venture Capital
Criada no começo do século a partir de ações da própria Finep, a indústria de Venture Capital (já chamada de capital de risco e capital inteligente) brasileira ainda carece de igualdade e debate sobre gênero, sobretudo, devido à ausência de mulheres negras entre gestoras e empreendedoras. Com mediação de Renata Guinther (Finep), o painel trouxe de volta aos eventos da financiadora a executiva Patrícia Freitas, que comandou por quase uma década as principais ações da Finep ligadas a investimento em companhias baseadas em tecnologia, notadamente, via fundos. Hoje, ela é Conselheira consultiva da ABVCAP (Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital).

"A indústria de Venture Capital ainda é um desafio para ser decodificada. A diversidade é fundamental. Hoje, já sabemos que 87% dos investidores dizem que a presença de mulheres em empresas de tecnologia investidas dinamiza o negócio", afirmou Freitas. Barbara Raymundo, gestora do Ória Gestão de Recursos, e Julia Vianna, gestora do Fundo Jardim Botânico Investimentos, também compuseram o painel e sinalizaram que o principal segredo para a conquista de espaço feminino é a capacitação constante.

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Renata Guinther (Finep), Patricia Freitas (ABVCAP), Barbara Raymundo (Ória)
e Julia Vianna (Jardim Botânico Investimentos)

"Mulheres em posição de liderança costumam estimular ainda mais o crescimento de outras, o que é positivo para todo o ecossistema. O desafio é fazer a presença feminina nos negócios crescer. Somos mais da metade do Brasil, mas poucas neste cenário", lamentou Júlia. Mas Barbara completou a fala com um desafio inspirador: "meninas, estudem. Não é fácil, mas acredito que o momento é nosso".


Workshop

Na parte da tarde, o evento prosseguiu com o workshop "Vantagens da diversidade para os negócios inovadores e como ampliar a representatividade e o sucesso de mulheres empreendedoras", que teve a presença de Célia Kano, diretora da Rede Mulher Empreendedora, e Cris dos Prazeres, Fundadora do Vai na Web.

Formada em engenharia mecatrônica e mestre pela Escola Politécnica da USP, Célia Kano atuou em projetos de gestão, inovação e análise de novos negócios em empresas multinacionais. Atualmente na Rede Mulher Empreendedora, é responsável pelo programa de aceleração para negócios fundados e liderados por mulheres e gestora de projetos junto ao setor privado.

Entusiasta do setor de impacto social, atuou voluntariamente em diferentes ONGs, fez imersão em negócios sociais do Bangladesh e pós em gestão de inovação social. Segundo ela, o Brasil conta com 24 milhões de mulheres empreendedoras, divididas entre empreendedoras estabelecidas e iniciais (14 milhões).

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Cris dos Prazeres (Vai na Web)

Já Zoraide Gomes, conhecida por Cris dos Prazeres, há três anos está à frente do programa Vai na Web, que oferece aulas gratuitas de programação para jovens pobres do Complexo do Alemão e do Morro dos Prazeres, no Rio de Janeiro. Cris atua desde os anos 90 como consultora de projetos sociais nos morros cariocas, facilitando o diálogo entre serviço público, empresas e moradores.

O Vai na Web já formou mais de 200 estudantes, com idades entre 16 e 29 anos. Mais da metade (55%) conseguiu uma colocação no mercado de tecnologia e 48% voltou a estudar no ensino regular ou entrou para a universidade. "É um projeto de transformação de vidas. Tecnologia atuando para uma virada social", contou Cris.

O dia de debate foi encerrado com a apresentação de detalhes do edital Mulheres Inovadoras, comandada pela analista da Finep Mariana Taragano. O Programa conta, ainda, com o apoio da Adesampa, da RME - Rede Mulher Empreendedora e do Founder Institute.