Seu navegador não suporta java script, alguns recursos estarão limitados. “Vacinar-se é um ato de cidadania”
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VACINA

A explicação é simples: sempre que encontra o caminho livre entre pessoas ão vacinadas, o vírus volta a circular. É o que se observa hoje no Brasil: dois anos após o país ter sido declarado livre da doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o sarampo voltou a se tornar um problema de saúde pública. Os mais de 400 casos suspeitos trouxeram à tona uma cobertura vacinal ineficiente — a começar por áreas mais sensíveis sob o ponto de vista epidemiológico, como os estados localizados na divisa com a Venezuela e outros países da América Latina, onde o vírus continua a circular. Processo semelhante ocorre na Europa onde, em 2017, o número de infectados aumentou 400%. Altamente contagioso ( o vírus se espalha por gotículas no de saliva no ar), o sarampo era até agora apenas uma lembrança remota, assim como a pólio e a varíola. No Rio de Janeiro, por exemplo, foram 18 anos sem casos.

Com um rápido cruzamento de informações, é possível apontar pelo menos uma das causas do retorno do sarampo. Em tese, o controle vinha sendo feito com a vacina, ou seja, era o resultado de dois fatores diretos — disponibilidade do imunizante nas unidades de saúde e população consciente da necessidade de prevenção. Sem que o cidadão tome a atitude de se imunizar — e também a seus filhos — , o modelo desaba.

Os últimos dados do Ministério da Saúde apontam que, entre dez tipos de vacinas necessárias para crianças com até um ano de vida, nove estão abaixo da meta de aplicação recomendada pela OMS. A única fora desta lista é a BCG, contra tuberculose (em geral, aplicada ainda na maternidade). Nas demais, a queda do percentual de vacinados segue drástica desde 2015. Quanto à tríplice viral e tetra viral, que protegem contra o sarampo e outras doenças, a cobertura atual está em torno de 70%.

O médico Alexandre Chieppe, especialista no controle de doenças infecto-contagiosas argumenta que a vacinação está além das escolhas pessoais e da decisão individual. Ele ressalta, na entrevista a seguir, que se trata de um ato de cidadania, acima de tudo.

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Alexandre Chieppe: as vacinas são seguras

O que provocou a queda na imunização contra o sarampo?

"São vários os fatores. É importante destacar o papel da sociedade nesse processo. Há ainda muita ignorância quando falamos em vacina. É cada vez mais comum ver pais e mães defendendo movimentos anti-vacinas e deixando de imunizar os filhos. Não há qualquer embasamento científico para isso. Boatos como os de que a vacinas causam autismo, já foram desacreditados por especialistas no mundo inteiro. É preciso que todos tenham a consciência de que vacinar-se não é uma opção individual e não pode ser encarada dessa forma. É a proteção de todos que nos cercam que está em jogo."

Por que mesmo em cenários em que algumas doenças praticamente foram erradicadas ainda há necessidade de vacinação?

"Ao se vacinar, o indivíduo não está apenas se protegendo, mas criando, junto com outras pessoas imunizadas, um “bloqueio” contra o vírus naquela comunidade. Sem a vacina, abre-se espaço para o vírus."

Alguns motivos apontados pelas pessoas que não se vacinam são as possíveis reações adversas ou que os imunizantes não são seguros e podem provocar as doenças que deveriam combater. Como é possível refutar tais visões equivocadas?

"É quase inacreditável, mas esse ainda é um terreno ainda dominado por mitos como esses que você citou. Como qualquer medicamento, é preciso observar para quais pessoas as vacinas são indicadas e em qual etapa da vida devem ser administradas. A tríplice viral, por exemplo, ajuda na prevenção do sarampo, junto com a caxumba e rubéola. A tetra viral acrescenta a varicela a essa lista. Ambas devem ser tomadas por bebês nos primeiros meses, justamente porque o sistema imunológico, nesta idade, ainda não está completamente desenvolvido. O sarampo é uma doença que pode ser muito grave para crianças, podendo, inclusive, deixar sequelas para o resto da vida."

Por que o número de casos de sarampo tem aumentado simultaneamente em diferentes países?

"A combinação entre esses movimentos anti-vacinas e as falhas na cobertura vacinal de tais países são, sem dúvidas, alguns fatores a serem observados. Em 2017, a Europa registrou o aumento de 400% do número de casos, especialmente em países como Romênia, Itália e Ucrânia. Foram mais de 21 mil casos no ano passado em toda a região, com pelo menos 35 mortes. Foram observados grandes surtos em 15 dos 53 países que compõem a região, ou seja, quase um em cada quatro. Os surtos atingiram países que tentam se recuperar de grandes crises econômicas, como Grécia, Espanha e Sérvia, até os mais desenvolvidos, como Alemanha, França, Bélgica e Reino Unido. A Organização Mundial da Saúde destacou, no primeiro trimestre deste ano, a baixa cobertura, falhas nos sistemas de vigilância em saúde, além da falta de vacinas, como os principais motivos por trás destes casos. Cada pessoa que é afetada pelo sarampo na Europa deve nos lembrar que criaças e adultos não vacinados, independente de onde vivem, podem ser infectados."

O que o senhor tem a dizer às pessoas que optam por não se vacinar?

"Cabe a cada um refletir sobre em que deve ou não acreditar. Não há dúvida de que a vacina é a forma mais segura e eficiente de proteção contra diversas doenças e há evidências incontestáveis quanto à segurança oferecida a quem se imuniza. Vacinar-se é um ato em benefício próprio e também de responsabilidade coletiva. Acredito que a melhor forma ainda seja o esclarecimento por meio da informação, vinda de fontes confiáveis, das conversas com médicos e profissionais de saúde, entidades e instituições de pesquisa e ciência. A história nos mostra que a conscientização precisa acontecer em larga escala. Oswaldo Cruz foi duramente criticado por tornar obrigatório o controle de varíola com a vacina. Isso aconteceu há mais de um século, quando houve a primeira campanha de vacinação em massa no Brasil. Atualmente, a rede pública brasileira dispõe de 17 vacinas no Calendário Nacional de Vacinação, que combatem mais de 20 doenças, em diversas faixas etárias. Há ainda outros tipos de vacina especiais, disponíveis para grupos em condições clínicas específicas — como os portadores de HIV. Acredito que se informar corretamente e observar sempre as indicações de um médico de confiança seja a melhor forma de evitar que boatos sejam propagados."

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Muitos especialistas têm mencionado o “efeito rebanho”. De que se trata exatamente?

"É justamente quando temos a maior parte da nossa população imunizada contra uma determinada doença. Com cobertura acima de 95%, a circulação do vírus não encontra espaço. Justamente por isso é preciso que haja a compreensão coletiva de que a vacinação é ato de cidadania — proteger-se a si mesmo contra uma determinada doença aumenta o grau de proteção de todos ao seu redor."

Os cientistas e médicos tem meios de garantir que não há qualquer risco nas vacinas?

"Novamente, a importância da informação correta e transparente. A vacina, neste ponto, é como qualquer medicamento. Pode, sim, oferecer reações em casos isolados. A questão é que precisamos avaliar o risco e o benefício seja na hora de vacinar ou de tomar um antibiótico. No que se refere às vacinas disponíveis hoje, o risco de contaminação por um vírus é certamente muito maior do que qualquer efeito adverso. Obedecendo as indicações e orientações médicas, as chances de intercorrências são raras. Não há dúvida de que as doenças são muito mais perigosas do que as vacinas."

 

 

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