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Potência agrícola global, o Brasil é fértil também quando se trata de soluções criadas por empreendedores para facilitar o trabalho no campo e possam se transformar em novos negócios. Dentro dessa lógica, duas máquinas criadas em cidades separadas por mais de 3 000 quilômetros demonstram como a criatividade e engenhosidade pode gerar duas soluções radicalmente diferentes mas que seguem o mesmo princípio de atender a necessidades de quem as usa e o perfil agrícola das regiões onde surgiram. Batizadas como Imperador 3.0 e Geragri, ambas foram desenvolvidas a partir de projetos inovadores e com tecnologia 100% nacional.

Fabricante de equipamentos agrícolas, a gaúcha Stara foi fundada por uma família de imigrantes holandeses em 1950, os Stapelbroek, na cidade de Não-Me-Toque, a 280 quilômetros de Porto Alegre. O desenvolvimento da lavoura na região levou os fundadores — e depois seus descendentes — a se dedicar à produção de artefatos como arados e semeadeiras para suprir as fazendas dos arredores. Atualmente, com a quarta geração de Stapelbroek exibem em seu catálogo de produtos o maior trator desenvolvido totalmente no país por uma companhia de capital 100% nacional, o Imperador 3.0.

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Área de cultivo no Rio Grande do Sul: inovação para produção em grande escala

 

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O Imperador 3.0: maior máquina agrícola desenvolvida por uma empresa de capital 100% nacional

 

Os estudos de viabilidade para a produção da máquina começaram em 2002, quando a empresa inclui o projeto nos planos para estruturar uma nova fábrica onde o veículo seria produzido. Com quatro metros de altura e uma envergadura que pode chegar a 30 metros quando equipada com braços de aplicação, o veículo tem função 2 em 1, ao pulverizar fertilizante e aplicar defensivos, se valendo do mesmo rastro no solo. Além do tamanho avantajado, o equipamento tem sensores eletrônicos que permitem ao fazendeiro controlar todo o funcionamento por smartphone ou computador, a partir do princípio da Internet das coisas (IoT). “Criamos um equipamento desenhado e feito no Brasil, para lavouras brasileiras de grãos , mas também extremamente competitivo no mercado global”, explica Fabio Bocasanta, diretor administrativo-financeiro da Stara.

Na região do Inhamuns, no sul do Ceará, o clima semiárido, as culturas agrícolas de caráter predominantemente familiar e as limitações financeiras dos agricultores exigem destreza e recursos bem diversos de outros pontos no país. As características da caatinga agravadas pelas dificuldades do dia a dia, serviram de bussola para o mecânico Geraldo de Sousa Mota arriscasse seus primeiros passos naquilo que os americanos chamam de “inovação de garage”. Desde que tinha sete anos de idade e caminhava com seu pai rumo à lavoura da família na pequena cidade de Tauá, sul do Ceará,
Mota sonhava com o dia em que teria um trator só seu para trabalhar a terra dura e ressequida da região. Isso pouparia a família do trabalho pesado nas roças de feijão e mandioca, alguns dos produtos básicos produzidos no município cearense de 58 000 habitantes. O sonho começou a ganhar forma em 1998 quando Mota, aos 33 anos, criou um pequeno trator que usava o chassi de um triciclo e peças aproveitadas de automóveis, motocicletas que ele mesmo desmontava e remontava na forma do novo veículo. "Lembro do dia em que terminei o primeiro triciclo e saí para dar uma volta. A cidade inteira saiu para as ruas para ver", recorda Mota.

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Zona rural na caatinga nordestina: desafios às famílias de agricultores

 

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O empreendedor Mota com a família e o Geragri: veículo concebido em uma oficina doméstica

 

Compacto e funcional, o tratorzinho era a solução para os terrenos acidentados, as propriedades de pequeno porte e voltadas à agricultura familiar da região. Com a ambição de produzir as máquinas em larga escala, Mota logo projetou uma versão no formado de quadriciclo e fundou a Geragri para fabricar as máquinas, em 2012, mesmo ano em que a Stara criou seu tratorzão. Desde então, com o apoio da Finep, estruturou o negócio e hoje vende máquinas ao preço de aproximadamente 18 000 reais cada uma, isso sem contar acessórios como arados e semeadeiras entre outros apetrechos.

O gigante das lavouras e o pequeno desbravador do solo seco da caatinga provam que, para o agricultor brasileiro, principalmente se encontra apoio financeiro e tecnológico para colocar em prática seus projetos. Não à toa, o agronegócio respondeu pelo impacto de 80% no crescimento valor adicionado à economia brasileira em 2017, segundo os dados do IBGE, retrato de um setor que passou incólume às crises e aos solavancos políticos e econômicos recentes. O Geragri o Imperador 3.0 são dois dos projetos catalogados no Mapa da Inovação da Finep voltados ao desenvolvimento de novas tecnologias na agricultura.

Conheça mais sobre o Imperador 3.0 e o Geragri.

 

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